Dois anos após termos iniciado uma série de road-shows sobre Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), o interesse no assunto continua em alta. Em todas as ocasiões o auditório tem estado lotado com máximo número de inscrições e participação de empresários, contadores, profissionais de TI, dentre outros. O evento mais recente, realizado como parte da programação local do PEIEX 2010, não foi exceção com um público bastante interessado e cheio de dúvidas sobre NF-e (e pelo SPED, de maneira geral).

Seminários sobre NF-e tem despertado interesse das empresas
Teoricamente, a implantação da NF-e não deveria alterar de forma significativa a rotina operacional das empresas, afinal o documento eletrônico substitui o atual (1/1-A) em todas as hipóteses previstas na legislação. Existem vantagens como eliminação de algumas despesas acessórias (AIDF), redução de custo de impressão por nota, facilidade para armazenar os documentos eletrônicos durante o período decadencial e incentivo ao relacionamento comercial eletrônico (B2B) entre as partes.
Para muitas empresas, entretanto, a falta de infra-estrutura tecnológica adequada pode atrapalhar o processo de emisão da NF-e e significar uma dor de cabeça adicional. Um dos problemas mais recorrentes é a má qualidade e custo elevado das conexões internet em muitos lugares no Brasil – algo que pode vir a ser remediado com o plano de expansão da malha anunciada pelo Governo Federal mas que ainda não representa uma solução a curto prazo.
Outra preocupação digna de nota é a diversidade de sistemas existentes para a emissão de NF-e (e como sabemos, atualmente não é exigido um processo de homologação com acontece com os aplicativos PAF-ECF) muitos deles incapazes de se integrar de forma harmoniosa com os sistemas legados de gestão administrativa, gerando dificuldades operacionais, falta de confiabilidade e aumento na carga de trabalho dos faturistas. Em decorrência disso, muitas empresas que emitem quantidade considerável de documentos fiscais acabam optando por terceirizar uma solução de emissão e gestão de NF-e e arcar com taxas de emissão e hospedagem decorrentes – ironicamente, indo de encontro a uma das maiores promessas da NF-e que é a redução de custo operacional.
Evidentemente as preocupações do contribuinte não param por aí pois trata-se de um assunto com implicações abrangentes e complexas, mas uma coisa costumamos deixar bem claro em nossos encontros com empresários: a integração de informações e controle absoluto do Estado das operações comerciais, tendo em vista a aplicação das leis vigentes, é um movimento inexorável e que tende a expandir-se por todos os setores em curto e médio prazos. Sendo assim, resta a todos os envolvidos no processo se manterem atualizados e não deixarem algumas providências importantes para última hora.